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Geologia de “bolo de camadas”: vai um pedaço?

February 20, 2018

As armadilhas do uso indiscriminado da geologia de “bolo de camadas”

 

A geologia ou estratigrafia de “bolo de camadas” (layer cake) é uma aplicação radical, mas, até certo ponto intuitiva, de três princípios básicos da Geologia definidos por Nicolaus Steno no século XVII (1667): o Princípio da sobreposição das camadas, o Princípio da continuidade lateral e o Princípio da horizontalidade original. Para quem não conhece o Steno ou não está familiarizado com seus princípios, deixei algumas definições e referências sobre eles no final deste artigo.
Vamos a um exemplo da aplicação radical dos três princípios de Steno: uma interpretação das camadas identificadas em duas sondagens investigativas mostradas na Figura A. Aplicando radicalmente os princípios de Steno, o resultado seriam camadas horizontais e contínuas.

 

 Sergio Matos / PANGEO


Trata-se uma interpretação muito aceitável, mas será que apenas um modelo reflete a realidade? As mesmas informações oferecidas pelas duas sondagens podem ter outra interpretação como a mostrada na Figura B.
 

Sergio Matos / PANGEO

 

Na Figura B as camadas identificadas nas sondagens estão interpretadas na forma de lentes de areia em meio a uma camada de argila. Mas qual está certa: A ou B? Pode ser desconcertante para alguns, mas, as duas podem estar corretas! As duas são possíveis. Neste contexto, a interpretação da Figura A pode ser entendida como aquela que desconhece heterogeneidades, sendo lateralmente muito homogênea, tal como um “bolo de camadas”, e a da Figura B como aquela que lida com as heterogeneidades e provavelmente foi baseada no ambiente deposicional conhecido por cartas geológicas ou interpretado em campo (eu optei pelo modelo de paleocanais fluviais para confeccionar a Figura B). 


Mas qual a importância deste entendimento? Qual a importância de considerar ou não camadas lateralmente contínuas para o gerenciamento de áreas contaminadas? Vamos imaginar que estas camadas dos desenhos façam parte de um aquífero granular freático e que seja necessária uma remediação pela injeção de um reagente para eliminar ou mitigar significativamente uma contaminação identificada no aquífero. É fácil perceber que camadas mais contínuas e homogêneas seriam mais propícias a propagação do reagente. Porém, se as camadas de areia tiverem a forma de lentes, a chance do reagente injetado em um único ponto atingir todas as lentes de areia contaminadas seria muito remota, principalmente se as lentes estiverem separadas por argila. A Figura C ilustra de forma esquemática esta situação.
 

 

 

  
Então, como escapar do bolo de camadas? 

 

Pense fora da caixa: considere sempre uma interpretação alternativa para a estratigrafia e não apenas aquela homogênea proporcionada pelo “bolo de camadas” 
 

Supere seu medo de mudar: novos dados podem indicar a necessidade de uma revisão completa na interpretação das camadas do solo. Faça-a sempre!
 

Realize investigações de qualidade: elas certamente resultarão em interpretações mais próxima da realidade.
 

Apesar de ser intuitivo e algumas vezes refletir a realidade em estudos de pequena escala (Maliva 2016), o modelo do “bolo de camadas”, em muitos casos, significa uma interpretação assume um alto grau de homogeneização, a qual pode não ser adequada para um desenvolvimento satisfatório do gerenciamento de uma área contaminada.

 

Vai continuar aí comendo “bolinho”?
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meu nome é Sergio Matos, sou geólogo e consultor para gerenciamento de áreas contaminadas.
 
Para comentários e sugestões:
e-mail:      sergio@pangeo.com.br
Whatsapp  11 999165362


 

 

Informações adicionais:


Nicolaus Steno foi um bispo católico e cientista do século XVII, pioneiro nos campos da anatomia e da geologia (o Google o homenageou com um doodle em janeiro de 2012: https://www.youtube.com/watch?v=6gjKI1Z4rNg).


Princípio da sobreposição das camadas, afirma que a deposição dos estratos (sedimentação) ocorre sempre por ordem cronológica da base para o topo da coluna estratigráfica (ninguém começa a montar um bolo pela cobertura!).


Princípio da continuidade lateral, afirma que as camadas de sedimentos são contínuas e estendem-se até à margem de bacia de acumulação, ou se afinam lateralmente.
Princípio da horizontalidade original, afirma que as camadas de sedimentos são originalmente depositadas de forma horizontal. 

 

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