Dados Cadastrais
CNPJ: 04.203.773/0001-40
Rua Augusta,66
CEP 01304-000
São Paulo - SP - Brasil
Contato
pango@pangeo.com.br
  • Whats
(11) 999165362
     Pangeo GMA 2018                                                                                                               Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo desta página sem a expressa permissão de seu proprietário

April 14, 2018

Please reload

Posts Recentes

Analise granulométrica para quê? Parte 2

April 6, 2018

1/3
Please reload

Posts Em Destaque

Poços de monitoramento são (só) para monitorar

July 19, 2016

3 motivos para repensar o uso de poços de monitoramento na investigação ambiental da água subterrânea impactada por compostos voláteis

 

 

 

Ainda hoje, poços de monitoramento são usados em larga escala em investigações da água subterrânea. Porém, como um profissional de meio ambiente, você certamente sabe que nem sempre os poços de monitoramento são os dispositivos mais adequados para a investigação da qualidade da água subterrânea. Selecionei 3 questões significativas relacionadas ao uso maciço de poços de monitoramento em investigações ambientais da água subterrânea, particularmente quando há contaminação por compostos orgânicos voláteis (ou VOC – volatile organic compound):

 

Perpetuação de  lacunas

Para a amostragem da água subterrânea em processos investigativos, poços de monitoramento são geralmente instalados no aquífero em profundidades arbitrárias, classicamente nas porções rasa (lençol freático), intermediária e profunda (ou na base do aquífero). Esta configuração pode implicar em baixa precisão na determinação da distribuição das concentrações da fase dissolvida (Figura A) e consequentemente em baixa precisão na delimitação de plumas. Além disso, ensaios de permeabilidade realizados em poços de monitoramento fornecem uma estimativa da permeabilidade média do intervalo abrangido pela seção filtrante e não uma estimativa mais acurada por cada camada interceptada pela seção quando esta cruza mais de uma litologia ou litofácies. Este valor de permeabilidade médio pode resultar em uma menor eficiência e/ou eficácia dos sistemas quando utilizado no dimensionamento de sistemas de remediação . Por fim, os poços de monitoramento têm performance extremamente baixa na amostragem de camadas argilosas duras e pouco permeáveis, implicando em resultados pouco representativos.

 

Conexão acidental de aquíferos

Em situações de pouco conhecimento da geologia da área investigada, um poço pode eventualmente ser instalado com sua seção filtrante cruzando um aquitarde ou uma camada menos permeável, resultando em uma ligação inconveniente entre dois aquíferos ou entre duas porções de um aquífero espesso. Caso um dos aquíferos ou uma das porções do aquífero estejam contaminados, poderá acidentalmente ocorrer contaminação cruzada (Figura B).

 

Geração de resíduos

A perfuração do solo necessária para a instalação de um poço de monitoramento gera compulsoriamente um volume de solo removido, sendo este volume diretamente proporcional a profundidade e ao diâmetro do poço de monitoramento instalado. Caso o solo removido durante a perfuração esteja contaminado, ele deverá ser segregado, armazenado (Figura C) e destinado corretamente para um aterro ou para destruição. Segregação e destinação implicam em custos que geralmente não são contabilizados diretamente no custo de instalação de poços.

 

Assim, para evitar que estas questões relacionadas ao uso impróprio e/ou exagerado de poços de monitoramento em investigações ambientais da água subterrânea venham interferir na qualidade da investigação e dos dados gerados, são sugeridas as seguintes ações:

  1. Evite poços de monitoramento no processo de investigação da água subterrânea. Deixe o principal episódio de instalação dos poços que formarão a rede de monitoramento para uma etapa posterior a investigação.

  2. Gere conhecimento detalhado sobre a geologia e a hidrogeologia da área alvo, principalmente na etapa de investigação. O conhecimento mais detalhado do empilhamento das camadas, de suas variações laterais e da permeabilidade são essenciais para o sucesso das etapas de monitoramento e de remediação ambientais

  3. Tampone os poços confirmados ou suspeitos de cruzar aquitardes, ou que estejam conectando porções diferentes dos aquíferos (para o tamponamento de poços pode ser necessária a autorização dos órgãos reguladores), mesmo que não haja indícios de contaminação. Quando necessário, substitua os poços tamponados por poços corretamente posicionados e instalados de forma mais segura (e.g. revestimento duplo de proteção).

A utilização de poços de monitoramento em investigações ambientais ainda é uma prática comum em sites suspeitos de contaminação por VOC, porém, esta prática precisa ser repensada: ao invés de poços de monitoramento, devem ser priorizados métodos de investigação que forneçam informações mais precisas, sem a geração de volumes significativos de resíduos. Deve ser considerado também que, em áreas contaminadas, a instalação segura de poços de monitoramento que forneçam dados confiáveis somente será viável quando conhecidas as distribuições das plumas de fase dissolvida e obtido conhecimento apurado da geologia e da hidrogeologia.

 

 

Meu nome é Sergio Matos, sou geólogo sênior, consultor ambiental e fundador da PanGEO Ambiental. Sinta-se à vontade para me contatar pelo Twitter: @DataGeologist, ou por e-mail: pangeo@pangeo.com.br

 

 

Please reload

Siga